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Saiba como cuidar
e o que fazer quando
levar um tombo
Texto de Luciana Liebert
Foto Renata Falzoni
O Night Biker's Club conversou com o médico cirurgião dr. Ricardo
Falzoni e elaborou esta matéria sobre o kit básico de primeiros socorros:
água, sabão, gaze e uma faixa.
Aventurar-se por trilhas ou estradas de terra é um ótimo exercício
para o corpo e a mente. O desagradável do passeio é quando uma pedra
não sai da frente ou a sapatilha não sai do pedal automático.
Levar um tombo é parte de pedalar, principalmente porque a culpa é
sempre do pedal. Nesse caso o kit de primeiros socorros pode ajudar
a evitar infecções e a não estragar o passeio, caso a queda resulte
em leves escoriações.
Como o próprio nome diz , o kit citado pelo dr. Ricardo Falzoni é
super-básico, tendo o necessário para ser feita a higiene até se chegar
ao hospital. Leve apenas água, sabão, gaze e uma faixa. É o suficiente
para impedir que os inúmeros microrganismos existentes na terra não
penetrem na pele.
Procure antes de mais nada pedalar sempre em grupo, pois em caso de
acidente são mais pessoas para uma eventual ajuda e um maior número
de ciclistas assusta os ladrões que adoram ficar atrás da moita. Além
disso, você pode aprender algumas técnicas com os mais experientes.
Uma simples limpeza no local do machucado elimina até 90% uma infecção.
O Night Biker's Club "simulou" alguns acidentes "verídicos"
para você encará-los da melhor maneira possível.
Confira abaixo:
Queimadura
No caso de uma queimadura (linguagem médica que se refere a um ralado,
uma arrancada de pele), lave bem com água e sabão até tirar toda a
terra e cubra (oclusão) com uma gaze para evitar a entrada de outras
bactérias e, dependendo da extensão e da área afetada, continue ou
não a pedalar.
A pessoa que está atrás do que tombou saberá dizer se a queda foi
grave, se teve batida de cabeça etc. Deve-se sempre ter bom-senso.
Mais um motivo para andar em grupo, porque assim um vigia o outro.
(Lembre-se que há pessoas sensíveis por natureza, portanto nada de
levar mercúrio, merthiolate ou sulfa. Algumas podem ser alérgicas
a esses medicamentos.)
Cortes profundos
É basicamente o mesmo processo, lave, esguiche água, coloque a gaze
e enrole a faixa por cima.
Mantenha apertado para não haver hemorragia, porque se o organismo
perder muito sangue a pessoa pode ficar tonta.
Muitas vezes cair e ralar todas as protuberâncias: ombro, cotovelo,
mãos, joelhos... é melhor do que sofrer uma rápida desaceleração.
Quando isso ocorrre, os órgãos internos também páram abruptamente,
inclusive o mais importantes deles, o cérebro (nem é preciso questionar
o uso do capacete). Se isso acontecer, o ideal é que o grupo mantenha
uma certa distância da pessoa que está caída no chão e que o líder
veja o grau de consciência deste ciclista, se ele sabe qual é o nome
dele, em que lugar eles estão, que horas são, trabalhando a memória
evocativa. Porque quando as pessoas batem o cérebro elas perdem a
noção do tempo, de imediato.
É importantíssimo que quem acuda transmita muita calma para que o
acidentado também fique calmo, para que ele perceba que a situação
está controlada. Procure liberar a respiração, solte o capacete e
abra o zíper da camiseta, deixe o acidentado o mais elaxado possível.
Muito importante: aprenda a distinguir sinais de sintomas. Sinal é
aquilo que se consegue ver, se a pessoa está falando direito, se o
seu olho está bem, não está um para cada lado. E sintomas são o que
realmente o acidentado está sentindo, se está com alguma dor, se está
tonto, se ele está com gosto ruim na boca.
Sinal muito perigoso é quando os olhos não estão bem, indicando que
há algo errado com o cérebro, ou se, ao tentar levantar, o ciclista
não conseguir ficar equilibrado. Hora de ir voando para o hospital.
Ficou desacordado...
Tome muito cuidado, procure estimular a vigília da pessoa, mas sem
movê-la do lugar, porque ela pode ter machucado a espinha e isso é
muito sério. Veja o estado de consciência do acidentado, peça para
ele mexer um pé, depois outro. Peça para que aperte com força as suas
mãos (que devem estar cruzadas), e você deve sentir a mesma intensidade.
Se ocorrer tudo bem até aí e a pessoa conseguir se levantar sem ter
sofrido nenhuma fratura, ela deve ir direto para o hospital para saber
do seu estado neurológico.
Se a pessoa não responde a nenhum sinal, ela não deve ser removida
do local, e se deve chamar o socorro médico.
Se houver uma fratura, basta imobilizar o membro com a faixa do jeito
que está, sem torcer nem tentar colocar no lugar até chegar ao hospital.
E se porventura um dos bikers levar uma picada, tente pegar o bicho
para saber a gravidade do veneno. Porque se a pessoa for alérgica,
a glote (gogó), pode fechar, impedindo a respiração. Para um nariz
quebrado, o ideal é enfiar gaze no nariz para conter o sangue e mais
uma vez, hospital. Na realidade todo e qualquer tipo de acidente deve
ter um acompanhamento médico, SEMPRE!
Mas se alguma dessas situações acontecerem, não desanime de pedalar
e nem queira sair destruindo sua bicicleta, pois muitos dos ciclistas
mais experientes acreditam que é caindo que se aprende.
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